{"id":4029,"date":"2021-07-31T18:45:02","date_gmt":"2021-07-31T18:45:02","guid":{"rendered":"http:\/\/portalpraties.com.br\/site\/?p=4029"},"modified":"2021-07-31T18:45:02","modified_gmt":"2021-07-31T18:45:02","slug":"consumo-de-carne-no-brasil-em-2021-sera-o-menor-em-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalpraties.com.br\/site\/2021\/07\/31\/consumo-de-carne-no-brasil-em-2021-sera-o-menor-em-25-anos\/","title":{"rendered":"Consumo de carne no Brasil em 2021 ser\u00e1 o menor em 25 anos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conab aponta que o consumo de total de carnes (bovina, su\u00edna e de frango) vem diminuindo desde 2014 e sofreu um novo abalo com a pandemia<\/h2>\n\n\n\n<p>Fonte: exame.com<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00a0Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/p>\n\n\n\n<p>O brasileiro consumir\u00e1 neste ano a menor quantidade de carne vermelha por pessoa em 25 anos, estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o cen\u00e1rio de crise dos \u00faltimos anos &#8211; com a recess\u00e3o de 2014 a 2016, a lenta recupera\u00e7\u00e3o de 2017 a 2019 e a nova crise causada pela covid-19 desde o ano passado &#8212; vem derrubando o consumo total de carnes (bovina, su\u00edna e de frango) desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2013, quando atingiu 96,7 quilos por pessoa por ano, auge na s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 1996, houve seis anos seguidos de queda. Neste ano, o consumo total deve ficar 5,3% abaixo do pico. O menor consumo tem rela\u00e7\u00e3o direta com o pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da produ\u00e7\u00e3o dos frigor\u00edficos destinada \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, em um cen\u00e1rio de cota\u00e7\u00f5es internacionais j\u00e1 elevadas, encarece as carnes tamb\u00e9m no mercado do dom\u00e9stico. A infla\u00e7\u00e3o do produto est\u00e1 em 35,7% no acumulado em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da queda no consumo, o diretor de Pol\u00edtica Agr\u00edcola e Informa\u00e7\u00f5es da Conab, Sergio De Zen, disse que o consumo geral do brasileiro se mant\u00e9m no n\u00edvel de v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo desenvolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme um levantamento da Conab, a demanda anual de carnes na Uni\u00e3o Europeia foi de 89,3 quilos por habitante, m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos. Na Austr\u00e1lia, ficou em 101,2 quilos; nos Estados Unidos, em 116,8 quilos. &#8220;O Brasil est\u00e1 comendo menos carne bovina, reduziu bastante, s\u00f3 que aumentou o consumo de frango e (na carne) su\u00ednos. O consumo global caiu muito pouco&#8221;, afirmou De Zen.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a renda menor, as fam\u00edlias compram menos carnes em geral e substituem as mais caras &#8211; em geral, a bovina &#8211; pelas mais baratas &#8211; como a de frango. A queda no consumo de cortes bovinos passa por um rearranjo na participa\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de prote\u00edna na cesta de compras dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exporta\u00e7\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p>O menor consumo interno ainda tem outra explica\u00e7\u00e3o: a forte demanda externa, principalmente da China. A alta nos pedidos chineses tem rela\u00e7\u00e3o com uma doen\u00e7a &#8211; n\u00e3o a covid-19, mas a peste su\u00edna africana (PSA), que assola os rebanhos do pa\u00eds asi\u00e1tico e das na\u00e7\u00f5es vizinhas desde 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto da PSA nos rebanhos su\u00ednos da China \u00e9 forte, segundo Jos\u00e9 Carlos Hausknecht, diretor da consultoria MB Agro. No fim de 2019, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) estimava em 7,7 milh\u00f5es o n\u00famero de animais abatidos em pa\u00edses asi\u00e1ticos por causa da doen\u00e7a, transmitida entre javalis e porcos, mas inofensiva aos seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dados internacionais compilados pela Conab, o consumo anual total de carnes na China foi de 51,1 quilos por habitante, na m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos, o que sinaliza que a demanda por exporta\u00e7\u00f5es para o gigante asi\u00e1tico tende a se manter, \u00e0 medida que o rendimento das fam\u00edlias chinesas siga sua trajet\u00f3ria de alta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na China, a carne de porco \u00e9 a mais consumida. O pa\u00eds \u00e9 o maior produtor global, mas a demanda da popula\u00e7\u00e3o de 1,3 bilh\u00e3o de habitantes exige importa\u00e7\u00f5es. O tombo na produ\u00e7\u00e3o em 2018 e 2019 foi t\u00e3o grande que levou os chineses a ampliarem suas compras no exterior de todos os tipos de carne, n\u00e3o s\u00f3 su\u00edna, mas tamb\u00e9m bovina e de aves. Esse foi o motor das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de bovinos &#8211; que sa\u00edram de 1,479 milh\u00e3o de toneladas e US$ 6,032 bilh\u00f5es, em 2017, para 2,013 milh\u00f5es de toneladas e US$ 8,506 bilh\u00f5es, em 2020, segundo a Abiec, associa\u00e7\u00e3o dos exportadores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Frango e peixe<\/h3>\n\n\n\n<p>Nos corredores dos supermercados, os brasileiros se viram para se adaptar ao encarecimento da carne bovina, mostram relatos feitos ao Estad\u00e3o em supermercados da Barra da Tijuca, bairro de classe m\u00e9dia alta da zona oeste do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos seis meses, a fam\u00edlia do analista de sistemas Ricardo Marques, de 60 anos, vem reduzindo o consumo de carne bovina, por causa dos pre\u00e7os mais elevados.&nbsp;Marques estima que o consumo caiu a um ter\u00e7o do habitual. &#8220;De vez em quando eu compro, mas espero uma promo\u00e7\u00e3o. Mesmo na promo\u00e7\u00e3o est\u00e1 caro&#8221;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o produto mais caro, a sa\u00edda \u00e9 migrar para o frango e, &#8220;eventualmente&#8221;, o peixe. &#8220;E mesmo assim o pre\u00e7o do frango est\u00e1 subindo&#8221;, ponderou Marques, que est\u00e1 atento \u00e0 influ\u00eancia do mercado internacional nos pre\u00e7os. &#8220;Est\u00e3o exportando tudo para a China e a gente est\u00e1 pagando o pato&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Marques mora com a mulher e o filho, na Barra da Tijuca. As compras no mercado, ele faz tr\u00eas vezes por semana. Assim, consegue observar de perto a escalada de pre\u00e7os dos alimentos. &#8220;A infla\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 subindo, n\u00e3o sei como os mais miser\u00e1veis est\u00e3o vivendo&#8221;, afirmou o analista de sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>A administradora de empresas Daniela Cristiane Rocha, de 39 anos tamb\u00e9m reduziu o espa\u00e7o da carne vermelha na cesta de compras da fam\u00edlia. O frango ganhou destaque por causa do pre\u00e7o, mas tamb\u00e9m por demanda dos filhos, por causa da &#8220;moda fitness&#8221;, contou ela, tamb\u00e9m enquanto fazia suas compras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos consumindo mais frango, \u00e0s vezes peixe. At\u00e9 o peixe, que era mais caro, hoje em dia est\u00e1 compensando muito mais do que a carne (vermelha)&#8221;, disse a administradora, que compra verduras e carnes semanalmente para a fam\u00edlia, formada por ela, o marido e os dois filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Morando sozinha no Rio, a aposentada Maria de F\u00e1tima da Silva, de 64 anos, j\u00e1 vinha reduzindo o consumo de carne vermelha, por causa da sa\u00fade. Frango, peixe, frutas e legumes agora ocupam mais espa\u00e7o na sua alimenta\u00e7\u00e3o. O que n\u00e3o quer dizer que a aposentada tamb\u00e9m n\u00e3o se assuste com os pre\u00e7os mais altos da carne bovina. Com frequ\u00eancia, ela fica na casa da filha, para cuidar do neto, que n\u00e3o dispensa a carne vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e1 muito cara. A alcatra, que compramos a R$ 29,90 (por quilo), j\u00e1 cheguei a comprar a R$ 22 (por quilo). Para mim, \u00e9 caro&#8221;, contou a aposentada, enquanto escolhia um corte para o neto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conab aponta que o consumo de total de carnes (bovina, su\u00edna e de frango) vem diminuindo desde 2014 e sofreu um novo abalo com a pandemia Fonte: exame.com Por\u00a0Estad\u00e3o Conte\u00fado O brasileiro consumir\u00e1 neste ano a menor quantidade de carne vermelha por pessoa em 25 anos, estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 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